Pastel



"(...)
O ancião se debruçou sobre a fogueira, um sorriso misterioso brotando por entre a barba.

— Ele existe!

As crianças puxaram o ar em admiração. Reflexos laranjas das chamas dançavam nos olhos de cada uma, mas não era só por isso que eles brilhavam.
— Mas… — o pequeno Timmy hesitou. Ele sempre fora o mais cético dos jovenzinhos. — Meus pais falaram que ele não passa de uma lenda para fazer as crianças comerem mais!
Só que o sorriso do ancião só aumentou na sua resposta:
— Então sorte a nossa, que não vamos ter que dividir com eles quando finalmente o encontrarmos!
As crianças riram, e até o pequeno Timmy foi contagiado dessa vez.
— Não desistam quando os adultos mais amargos tentarem lhes desiludir, meus pequeninos — o ancião continuou. — Porque ele é real e está por aí, esperando que vocês o achem. Pode não ser no primeiro. Pode não ser no segundo. Raios, pode não ser até no centésimo ainda. Mas enquanto vocês acreditarem e a esperança brilhar alta no horizonte, algum dia eu tenho certeza que irão encontrá-lo. E então receberão a grande recompensa que antes só seria possível nos mais ousados dos nossos sonhos. A benção valiosa do lendário e único… queijo do pastel de feira.
(...)"

- "As Crônicas de Niazinha II: em Busca do Pastel Enqueijado", BOLINHOS, Niazinha. p. 82. Rio de Janeiro, 2014. Romance não publicado porque não existe.