
Uma das virtudes infantis de que eu mais sinto saudades era aquela capacidade infalível de passar o tempo se distraindo só com o poder da imaginação. Quando adultos, um pensamento não é considerado suficiente pra nos entreter. Não sei se é porque pensamos que poderíamos fazer coisas mais importantes pra aproveitar o tempo, como ler ou jogar alguma coisa. Não sei. Mas eu tento me policiar pra lutar contra isso. Às vezes vou ao banco ou ao dentista e penso: "Vou levar um livro? Não, hoje não. Vou aproveitar a espera pra pensar. Tenho muito no que pensar". Afinal, eu me recuso a aceitar que minha própria companhia seja algo tão desinteressante assim.